Tudo em volta está sem brilho, falta graça e não tenho forças: “Por onde anda meu ânimo?”

Será que são os tempos difíceis, o entorno diferente ou a falta das coisas banais ? Alguns declaram que se vive uma de onda de desânimo. Muitos buscam de forma ininterrupta alguma satisfação, mesmo que seja passageira. Já outros se esforçam para “levantar o astral”, mas se deparam com um lugar duro em que a falta de vontade impera.

A piada perdeu a graça, ficou duro enfrentar o dia e o entorno parece sem que nada seja interessante. Há dias difíceis, momentos muitos desafiadores e mesmo uma continua exposição ao sofrimento, mas mesmo ali ainda se deve encontrar algum alívio. Quando se permanece estranho a si mesmo ou com apenas “falta de tudo” pode ser necessário criar um tempo para se fazer algumas perguntas.

Melhor se perguntar…do que permanecer com a luz apagada

Algumas perguntas que você pode se fazer  para identificar se está com alguma mudança de ânimo:

  1. Sinto que mesmo após dormir uma noite toda de sono, ainda acorda cansado? (Exemplos: Posterga em muito tempo o sair de sua cama após o despertador; pensa que queria gostaria de ficar ali na cama pelo resto do dia, pois acha que não tem forças para conseguir realizar seus compromissos do dia);

  2. Coisas que antes me davam prazer ou alegria ficaram sem graça? (Exemplo: Assiste algum programa ou entretenimento que antes o confortava e percebe que não vê sentido naquilo; acha que é melhor evitar encontrar com pessoas, pois acha que não conseguirá manter a conversa e não terá o que falar – ou mesmo evita pessoas queridas até mesmo por mensagem ou chamada de vídeo);

  3. Sempre estou pensando que algo vai dar errado ou tudo representa uma ameaça? (Exemplo: mentaliza que qualquer coisa do seu dia vai acontecer o pior: não vai conseguir chegar no compromisso, sua internet vai cair em uma reunião importante);

  4. Sinto que mesmo quando as pessoas falam que fiz certo, ainda fico pensando que não foi o suficiente ou que no fundo não está bom? (Exemplo: Faz uma prova/apresentação que conseguiu cumprir os requisitos, mas dentro de você acha que está tudo errado);

  5. Acho que minha falta de energia está tão evidente que estão todos percebendo? (Exemplo: Ao falar, olhar ou andar tudo é muito difícil, como se carregasse o peso do mundo nas costas e acredita que quando as pessoas o olham que estão observando esta sua dificuldade);

  6. Qualquer tarefa mental ou algum compromisso que tenha já desencadeia um grande medo e acha que não vai conseguir? (Exemplo: preciso pagar uma conta pelo aplicativo do banco, mas não tenho força para coordenar este pagamento; já estou sem comida em casa, mas a ideia de sair à rua ou pedir por algum aplicativo parece muito complexa);

  7. Antes com muito esforço vinha conseguindo entregar minhas atividades de escola/trabalho, mas agora me enrolo e não consigo. Cada vez mais permaneço de forma passiva na cama; jogando; navegando pelas redes sociais…como se a mente estivesse sempre “viajando” e o corpo estivesse fraco (Exemplo: Você que sempre conseguiu cumprir seus prazos e não se enrolar, no entanto, percebe que sua cabeça está com um bloqueio para conseguir aprender/gravar conteúdo ou mesmo desenvolver um raciocínio – e isto determina uma intensa angústia que o deixa em conflito e acaba por o paralisar por completo – gerando um ciclo vicioso de falta ao trabalho, atrasos e até mentiras para encobrir este seu momento difícil).

Se antes conseguia mudar estas sensações ruins ao fazer um exercício, conversar com um amigo, meditar, ou mesmo jogar/comer e agora mesmo quando busca estes suportes emocionais percebe que não tem muito efeito sobre o que sente. Pergunte-se se estas sensações e percepções estão contínuas, ou apenas de forma isolada. Caso ocorram apenas isoladamente 1 vez ao mês, ou de forma apenas ocasional, precisa tentar se identificar se tem algo que desencadeia estas dificuldades. Se suas respostas forem positivas e também todo este desconforto emocional estiver constante, segue abaixo algumas reflexões.

Alternativas para buscar uma mudança de ânimo!

Etapa reflexão/ponderação: Tentar sozinho refletir se consegue resolver aquele problema que o está atormentando: mais prazo para entregar o trabalho? Pedido de ajuda financeira para a família? Negociar o valor da dívida? – neste momento criar uma racionalização do problema para que possa tentar ver se o problema é real, ou mesmo, mais uma tortura mental que não faz muito sentido na realidade;

Etapa autocuidado: Buscar os recursos de suporte emocional que o fazem modificar seu estado de ânimo para cima, ou seja, coisas que você sabe que te levanta! Isto é um recurso individual de cada um, mas pode ser dar uma volta na rua; ver alguma área verde; respirar fora de casa; ligar para algum amigo ou familiar; cozinhar; escutar uma música que tenha conexão emocional; meditar; tirar uma soneca; fazer algum exercício… pausar as atividades mais estressantes e respirar fora da pressão para que possa se reequilibrar e tentar colocar em perspectiva o que está te fazendo sofrer;

Etapa compreensão: por mais difícil que o dilema emocional que esteja atravessando pareça intransponível (incerteza do resultado da prova do ENEM; dúvida do futuro quanto a carreira escolhida; falta de oportunidades de trabalho; frustração dos planos anteriores) buscar entender que problemas/dilemas/impasses precisam as vezes serem pausados para que se possa os atravessar com maior serenidade. Compreender que mesmo que a dor emocional, seja quase desesperadora e terrível, que aquilo pode ser amparado e encaminhado para que você possa conseguir suportar e resolver da sua forma.

Etapa comunicação/suporte: buscar ajuda de amigos, familiares, professores, colegas ou alguém que possa compartilhar esta dificuldade para receber apoio. Caso não tenha esta pessoa, considerar que tem profissionais habilitados da saúde mental, que podem oferecer este amparo.

Pedir ajuda não é fraqueza!

Após você já ter identificado que esta mudança de ânimo, energia, falta de graça em tudo, não se modifica mesmo com todo seu esforço. Considere que tem como cuidar disto de forma acolhedora com um psiquiatra. Não se julgue por precisar deste tipo de suporte e pondere que isto não representa você ter fracassado, ou não conseguido, mas que você precisa restabelecer suas emoções com uma ajuda especializada. Não desista de voltar a sentir satisfação, ou voltar a perceber brilho na sua vida.

 

Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2021.

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