De carona com o Corona, vulgo COVID-19

Aliviados aguardávamos a Páscoa, parecia ser uma data limite para colocar a cabeça para fora. As semanas haviam passado com os termos pandemia, quarentena, distanciamento social, lavagem de mão e tudo mais check. As máscaras ainda um pouco mais escondidas, mas já se assumindo com certa resistência, que entrarão nos nossos novos itens de convivência. Resgatamos velhos grupos de convivência ou preferimos nos afastar de vez daqueles que nada nos dizem, ou mesmo sem paciência para manter tanta sociabilidade digital. De repente, chegou abril.

Desafios pessoais do isolamento

O humor oscilou, de alívio por poder pausar, de felicidade, de tédio e todos resolveram que o grito da moda era “ansiedade, como lidar com a quarentena”. Também tiveram os que nada puderam compartilhar desta euforia coletiva, pois continuaram na frente de trabalho ou foram engolidos por uma jornada de trabalho integral. Havia ainda um certo romantismo em se desafiar nas tarefas domésticas e nos cuidados para manter as crianças dentro de uma produtividade on-line. Ao longo das semanas, dias difíceis outros reveladores, em que foi se percebendo necessidades mais singelas e uma satisfação mais humilde.

Saudades, da multidão

Os sonhos não eram tanto mais no imaginário das fotos das redes sociais, mas no sentir aquele abraço demorado, de quem não se está podendo encontrar. Aquela saudade daquele encontro de amigos, de um fazer nada coletivo, ou mesmo de se dançar de forma liberta em alguma festa, mesmo que esta fosse o cafezinho do trabalho. Quanta falta do horário de almoço ou do sufoco por se estar correndo de um lugar para outro, será?

Coisa chata essa história!

O silêncio foi ficando mais agudo, as notícias repetidas, as controvérsias da política nacional já não animavam seus combatentes digitais, e de forma sorrateira as fronteiras da incerteza começaram a se delinear. Que dia esse devaneio terminava mesmo? Cadê o pico? Essa tal curva já não estourou? Posso programar…os planos já não cumpriam sua função de meta temporal. Veio o desalento. Melhor voltar para minha vida normal. Onde estará o pipoqueiro da esquina?

Rebeldia, não vou lavar a mão

Respiro fundo, acordo feliz e vou resistir, driblar o invisível e resistir como se nada houvesse. Nego, esquivo, persisto e ali de novo, vejo que na esquina estão os entregadores das plataformas de delivery. Adaptados ao novo cenário, resistir agora não é mais ter coisas físicas, como o álcool gel ou a máscara, mas se confrontar com os novos tempos. A chave virou, as lives não me deixam mais alive e o volume da minha música precisa voltar.

Respira fundo

Agora é chegada a hora da separação. Até aqui andamos em bando. Os comportamentos se replicavam com maior facilidade, mas persistir por não criar seu próprio caminho pode te fazer não conseguir suportar a angústia. Sim, alguns estão vivendo um frisson de novas ideias e projetos, outros estão a fechar as portas dos seus projetos de vida e outros ainda estão batendo a panela de uma vida vazia. Daqui em diante, boa sorte!

Fogo no parquinho! Está acabando o BBB..

O pipoqueiro não está te aguardando na esquina. Será preciso buscar o milho da sua própria fugaz existência. Estoure com cuidado, aos que ainda nunca se escutaram ou não conversam com si. Aqueles que já se dialogam, não se sintam superiores como “pipocas” campeãs comparadas aqueles “milhos duros” que não estouram. A solidariedade está na moda, não aquela que te afoga, mas a que soma.

Agora me bateu uma saudade de pamonha, deve ser porque lembrei das “pamonhadas” da minha infância, em que na época do milho tínhamos um ritual de fazer as pamonhas como se fosse uma grande festa. Cada um com sua função no processo, de ralar o milho, cozinhar, enrolar na palha e amarrar. Doce infância, em que meus amados pais me ensinaram como valorizar o coletivo. Eles realmente são de vanguarda!

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